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Maysa Lara Xavier

Última atualização: 27 de março de 2026

Maysa, suas introduções estão muito bem construídas e demonstram um domínio técnico elogiável do modelo exigido pelo ENEM. Você utilizou repertórios clássicos e de grande autoridade, como a obra “Utopia” de Thomas More e a Constituição Federal de 1988, para estabelecer o contraste necessário com as falhas da realidade brasileira. Suas teses bipartidas estão impecáveis, apontando com clareza a negligência governamental, a ausência de legislação efetiva e a fragilidade legislativa.

Quanto à Competência 1 e à fluidez do texto, quero destacar o uso de vocabulário sofisticado, como no termo “celeuma“, que demonstra domínio do registro formal. No entanto, atente-se a alguns pontos gramaticais: na primeira introdução, em “Thomas More é retratada“, o correto seria “em Thomas More é retratada” ou “Thomas More retrata“. Além disso, no segundo parágrafo, cuidado com a crase: em “devido a fragilidade“, o correto é “devido à fragilidade“, pois o termo “devido” exige a preposição “a” e a palavra “fragilidade” aceita o artigo feminino.

Sua caligrafia é excelente e muito legível, o que facilita muito a correção. Apenas tome cuidado para não repetir o argumento da “negligência governamental” em todos os temas, para mostrar ao corretor que você consegue identificar diferentes causas para problemas distintos, como por exemplo, a herança histórica ou o preconceito estrutural. Fora esses detalhes, seu projeto de texto é muito sólido e profissional.

NOTA:

Maysa, sua atividade apresenta boa compreensão dos dois temas e explicita com clareza dois problemas em cada tese. No primeiro, você aponta o racismo estrutural e a desigualdade social persistente, fatores que dificultam a valorização da herança africana no Brasil. No segundo, sua tese destaca a desvalorização social e cultural do trabalho de cuidado, bem como a falta de políticas públicas, elementos que contribuem para a invisibilidade desse trabalho realizado pelas mulheres.

Para aperfeiçoar ainda mais a construção, procure apenas formular a tese de modo um pouco mais direto, evitando iniciar com uma estrutura muito prescritiva (“é preciso combater” – confesso que achei um pouco confuso, leia a frase toda e veja).

Nesse cenário, a valorização da herança africana no Brasil é dificultada pela persistência do racismo estrutural, bem como pela desigualdade social presente na sociedade brasileira.

Assim, a invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil decorre da desvalorização social e cultural dessas atividades, bem como da ausência de políticas públicas voltadas à sua valorização.

NOTA: