Ana Elis, o que mais chama atenção nessa redação é a variedade de repertório: você abre com Djonga na introdução, traz um caso jornalístico de 2025 no primeiro desenvolvimento e ainda encaixa a novela “Carinha de Anjo” no segundo — que convenhamos não é o melhor repertório do mundo.
Na introdução, a tese fica clara: você separa o problema afetivo/financeiro da ausência paterna do problema estrutural do machismo que o sustenta. Só um cuidado de vocabulário: “porém, inimiga o fato de não ter mãe” soa impreciso — o verbo não comunica bem a ideia. Fica mais limpo assim:
Na música “Benção”, o cantor Djonga descreve sua infância marcada pela presença do pai e pela ausência da mãe, lamentando viver em um país onde, segundo ele, os homens abandonam mais.
No D1, o caso da advogada Amanda Zeferino é um ótimo achado — atual e bem conectado ao argumento. Só ajuste “que visa as mulheres como principais responsáveis”, já que “visa” não é o verbo certo aí; “que enxerga as mulheres como…” resolve.
No D2, a novela como repertório funciona rasoavelmente, mas falta uma palavra na primeira frase: “fica nítida a forma a desigualdade econômica afasta” precisa do conectivo “como” entre “forma” e “a desigualdade” para a frase fechar gramaticalmente.
Na conclusão, a proposta tem agente, meio e efeito bem marcados, mas “banalizar… as problemáticas do abandono parental” diz o contrário do que você quer — banalizar é tornar normal, não combater. Ajusta assim:
cabe às escolas, por meio de palestras contra o machismo, desnaturalizar desde cedo as problemáticas do abandono parental, a fim de que deixem de ser vistas como normais quando partem de homens.
Fora isso, a proposta com licença paternidade e Bolsa Família está detalhada e articulada com o texto — só faltou fechar retomando a música da abertura para dar circularidade completa.
Competência 1 – 140
Competência 2 – 200
Competência 3 – 160
Competência 4 – 200
Competência 5 – 180
Ajustando esses pontinhos de vocabulário, o texto sobe fácil.
NOTA:
Ana Elis, que bom ver seu argumento retomando o repertório da introdução! Você usou o filme A Substância de forma produtiva, conectando a busca da protagonista pela versão “mais jovem” com a realidade brasileira do uso de medicamentos como o Ozempic sem prescrição. Isso mostra domínio da relação repertório × Brasil contemporâneo, e o fechamento com as consequências à saúde (desnutrição, ansiedade, distorção de imagem) ficou muito coerente.
Alguns ajustes para lapidar: cuide da crase em “relacionados à estética” e em “consequências à saúde” (verbo que exige preposição + palavra feminina). Na conclusão, ótimo trazer o Ministério da Educação e o Plano Nacional, mas evite a repetição de “estética” muito próxima — troque uma delas por “aparência” ou “corpo”.
NOTA:
Ana, você começou muito bem com um tópico frasal claro e usou um repertório excelente e atual ao citar a influência de figuras públicas na promoção das apostas. Isso mostra que você está atento à realidade brasileira.
Após apresentar o repertório, foque na consequência dessa influência, principalmente na parcela mais vulnerável da sociedade. Quanto mais relacionado ao tema e bem elaborado o uso do repertório, melhor.
Que tal fechar assim, após citar os influenciadores?
“Essa prática, aliada à negligência estatal em educação financeira, impulsiona o endividamento, afetando principalmente jovens de classes menos abastadas que veem nas apostas uma falsa promessa de ascensão social.”
NOTA:
Ana, seu parágrafo demonstra excelente domínio da estrutura dissertativa. A organização das ideias é fluida, com uma progressão temática muito clara que vai da apresentação do problema (inoperância governamental) à sua consequência (afastamento da população do esporte). O repertório sociocultural, a música da banda Skank, foi mobilizado de forma produtiva, pois você o utiliza para construir um contraste pertinente com a realidade nacional, o que confere marcas de autoria ao texto. A coesão é bem executada. Apenas atente-se a um desvio de concordância em “é notório a perda” (o correto seria “é notória a perda”). No geral, um desenvolvimento muito consistente.
NOTA:
Ana Elis, seus textos apresentam uma boa articulação de ideias e uma seleção de agentes muito pertinente aos temas. No entanto, é preciso atenção à precisão da nomenclatura oficial: note um pequeno detalhe em “Ministérios de Educação”; na verdade, o correto seria Ministério da Educação. Outro detalhe importante: ao passar o texto a limpo, tente completar totalmente o traçado das letras, pois algumas palavras podem gerar dúvida na leitura do corretor, o que prejudica a clareza.
Em termos de estrutura, sua primeira conclusão traz boas ações, mas falta especificar o meio/modo (como esses investimentos serão feitos na prática?).
NOTA:
Ana Elis, suas introduções estão muito bem estruturadas e demonstram um ótimo uso de repertório sociocultural. No primeiro tema, você utilizou com muita propriedade a personagem Bertoleza, de “O Cortiço”, para contextualizar a exploração do trabalho feminino, e no segundo, o Dia da Consciência Negra serviu como uma base sólida para discutir a valorização da herança africana. Suas teses são claramente bipartidas, apontando problemas como a negligência governamental, a falta de investimentos no ensino e a ausência de projetos de lei específicos.
Entretanto, para elevar sua nota na Competência 1, preciso te alertar para um detalhe importante na construção da sua primeira frase: você escreveu “Na obra ‘O Cortiço’ o autor Aluísio Azevedo retrata…“. Gramaticalmente, esse “Na obra” isola o lugar, deixando a frase sem um encaixe fluido. Para corrigir, você tem duas opções: ou retira o “Na” e escreve diretamente “A obra ‘O Cortiço’ retrata…“, ou mantém o “Na” e ajusta o verbo para a voz passiva: “Na obra ‘O Cortiço’, é retratada a vida de Bertoleza…“. Esse ajuste evita que o sujeito da frase fique “solto”.
No geral, seu projeto de texto é muito bom e segue exatamente o que o ENEM espera ao conectar o contexto ao Brasil atual por meio de conectivos como Entretanto e Nesse cenário.
NOTA:
Ana Elis, sua introdução utiliza de forma produtiva a Constituição Federal de 1988 para contextualizar o tema. Sua tese está bem definida nos eixos da desigualdade social e da negligência governamental.
Para elevar a formalidade na Competência 1, atente-se à regência verbal: em “Isso se deve, predominantemente, pela…“, o correto seria “deve-se à…“. Além disso, certifique-se de que a proibição mencionada seja interpretada conforme a lei (menores de 16, salvo aprendiz). Na tese, prefira a estrutura direta: “nota-se dois grandes problemas: a desigualdade socioeconômica e a inoperância governamental“.
O parágrafo apresenta todos os elementos fundamentais: contextualização jurídica, conectivos (“Entretanto”, “Isso se deve”), recorte para o Brasil contemporâneo e tese bipartida clara.
NOTA:
Ana Elis Almeida Ferreira, sua primeira introdução apresenta um bom domínio da estrutura exigida, utilizando o filme “Central do Brasil” de forma muito pertinente para contextualizar o analfabetismo funcional. A tese bipartida está presente, identificando a negligência governamental e a educação falha como os eixos centrais da problemática.
Para elevar a formalidade, substitua o trecho “encontrar formas de combater” por “viabilizar estratégias que mitiguem” ou “ratificar mecanismos capazes de debelar”. Sua caligrafia é muito clara e o uso do conectivo conclusivo “Assim” garante a transição adequada para o fechamento do parágrafo.
Trecho reescrito: “Assim, torna-se premente viabilizar estratégias que mitiguem a negligência governamental e a educação falha com essa parcela social.”
NOTA:
Ana, a estrutura gramatical e o uso de conectivos estão corretos, mas na primeira tese faltam as causas do problema e, na terceira, a presença de três argumentos (negligência, pobreza e desigualdade) compromete a técnica bipartida e a profundidade da discussão.
Tese 1: “…torna-se notável que tal cenário é fruto da negligência governamental aliada à insuficiência de infraestrutura tecnológica.”
Tese 3: “…atuam como dificuldades: a negligência estatal e o elevado custo dos alimentos básicos.”
NOTA: