Isabella, o que mais chama atenção aqui é o uso do conceito de anomia, de Durkheim, aplicado à lentidão do Judiciário nos processos de reconhecimento de paternidade — isso é análise crítica de verdade, não citação solta, e é isso que separa um repertório decorado de um repertório produtivo.
A introdução já entrega dois problemas bem demarcados (danos à saúde mental e dificuldade socioeconômica), mas repare que a ordem se inverte no desenvolvimento: o D1 ataca primeiro a questão socioeconômica (via “Quarto de Despejo”) e só o D2 retoma o dano psicológico. Não invalida o texto, mas deixa a amarração menos direta — vale alinhar a ordem da tese com a ordem dos parágrafos na próxima produção.
Um cuidado com o repertório: a autora do livro se chama Carolina Maria de Jesus, não “Maria Carolina” — o nome saiu invertido. Vale conferir esse tipo de dado antes de usar como argumento de autoridade.
Na conclusão, agente, ação e detalhamento estão bem postos (Governo Federal, Instituto da Criança e do Adolescente, Ministério da Mulher, campanhas em escolas e redes sociais), mas falta o conectivo de finalidade explícito — o “fazendo com que possa haver” fica frouxo onde poderia entrar um “a fim de”:
elabore projetos de lei voltados a um Plano Nacional de Paternidade Responsável, a fim de reduzir progressivamente tal óbice.
Dois deslizes pontuais de norma culta: “Instatuto” (Instituto) e a falta do acento em “orgão” (órgão). Também há um ponto e vírgula duplicado em “coesão social;do contrário;instala-se” — o certo seria só um, com vírgula depois:
para garantir a coesão social; do contrário, instala-se um estado de anomia.
Fora isso, o texto tem repertório bem escolhido, argumentação com autoria e conectivos variados do começo ao fim.
Competência 1 – 160
Competência 2 – 200
Competência 3 – 160
Competência 4 – 160
Competência 5 – 160
NOTA:
Isabella, sua redação sobre o analfabetismo funcional impressiona pela consistência do repertório e pela clareza do projeto argumentativo do início ao fim — você constrói uma tese sólida e sustenta com propriedade ao longo dos parágrafos. Na C1, o domínio da escrita formal é muito bom; vale só reler trechos como “torna-se… torna-se” (linhas 4 e 7), que se repetem e podem ganhar variação. Na C2, o repertório é excelente e plenamente produtivo: Paulo Freire, “Central do Brasil”, “Cidadania de Papel” de Dimenstein e “Vidas Secas” dialogam de verdade com o tema, sem soar decorativos. Nas C3 e C4, a progressão é autoral e os conectivos variam bem (“a princípio”, “sob essa ótica”, “por conseguinte”), embora um trecho como “a impertinência de uma competência letrada” fique um pouco confuso e mereça mais precisão. Já na C5, sua proposta está completa: agente (Governo Federal), meio (Ministério da Educação), ação e detalhamento (reformulação pedagógica, capacitação docente) e efeito bem projetado. Um texto maduro, muito próximo da excelência!
Competência 1: 180
Competência 2: 200
Competência 3: 180
Competência 4: 180
Competência 5: 200
Isabella, seus dois parágrafos ficaram muito bem encadeados com a introdução e a conclusão da atividade! No primeiro, você abriu com “Ademais” retomando o problema, mobilizou um repertório produtivo — “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo — e o articulou com a realidade das populações periféricas, fechando com a consequência (sobrecarga do sistema de saúde). No segundo, gostei do vínculo com a Constituição Federal de 1988 e o Marco do Saneamento Básico, cumprindo bem os quatro movimentos.
Lembre-se sempre de utilizar vírgula após os conectivos que iniciam frase – “Consequentemente, as populações…” O fechamento do segundo parágrafo ficou muito bom. Nice demais!
NOTA:
Que parágrafo rico, Isabella! Você trouxe um repertório literário muito bem escolhido — a referência ao romance Iracema, de José de Alencar foi feita de forma muito produtiva, conectando a hiperbolização do corpo feminino à identidade nacional. Isso já coloca seu argumento em outro nível.
Só um detalhe O parágrafo está denso e corre o risco de virar um bloco corrido. Certifique-se de que os quatro movimentos estejam bem marcados por conectivos: abertura → repertório → relação com o Brasil contemporâneo → consequências.
Fiz algumas melhorias, veja: Sob essa ótica, é fulcral destacar que o complexo industrial da beleza se expande progressivamente no cenário estético contemporâneo. Analogamente, no romance Iracema, de José de Alencar, o corpo da heroína nativa é hiperbolizado e utilizado para fundar a identidade nacional, à medida que se curva à lógica do colonizador europeu. O contexto atual espelha essa alienação ao impor às mulheres metas corporais inalcançáveis, frequentemente pautadas por padrões eurocêntricos que ignoram a diversidade do país. Essa imposição cruel culmina na busca desenfreada por procedimentos cirúrgicos invasivos, elevando de forma alarmante o índice de sequelas graves e óbitos decorrentes dessas intervenções. Assim, torna-se inegável que o mito da perfeição estética permanece aprisionando a parcela mais vulnerável do corpo social.
NOTA:
Isabella, seu parágrafo argumentativo demonstra uma estrutura sólida, com um tópico frasal bem definido que aponta a inércia governamental como o problema. A escolha do repertório é excelente e produtiva, mobilizando tanto a arte (Tarsila do Amaral) quanto a legislação (Constituição de 1988) de forma pertinente ao tema.
Contudo, a progressão temática apresenta uma pequena circularidade. A análise conecta a obra de Tarsila à fuga de artistas, mas a relação direta com a “inércia governamental” do início poderia ser mais explícita. Há um truncamento na parte final que compromete a clareza: a frase “restringindo os direitos de fruição de classes mais abastadas” expressa o oposto da ideia pretendida. Atenção também ao uso de “preponderantes”, que não se encaixa no contexto.
NOTA:
Isabella, seu parágrafo argumentativo é excelente e demonstra uma grande capacidade de articulação entre o repertório sociocultural e a realidade prática. Você estabelece a insuficiência das medidas governamentais como o problema central de forma muito clara no tópico frasal. A analogia com “Quarto de Despejo” foi muito bem utilizada para evidenciar a “invisibilidade social”, e a descrição do cenário atual de crianças buscando alimentos em depósitos de detritos conferiu um peso dramático e crítico muito forte à sua argumentação. O uso de conectivos como “Analogamente”, “Tal cenário” e “Assim” garantiu uma fluidez perfeita.
O fechamento é exemplar, pois apresenta consequências graves, como o aumento da mortalidade infantil, e conclui com a ideia de um “contínuo retrocesso da nação”.
NOTA:
Isabella, seu desempenho na estruturação das conclusões é notável. Você demonstra um domínio muito seguro dos conectivos e do detalhamento dos agentes, como ao definir o Governo Federal como “instância máxima executiva”.
No primeiro texto, todos os elementos fundamentais aparecem de forma clara, e sua análise sobre o “ensino ineficiente” serviu como um ótimo fechamento argumentativo. No entanto, no segundo texto, observe que você iniciou uma segunda proposta de intervenção ao mencionar o Ministério da Educação, mas ela ficou incompleta. Lembre-se de que, para cada nova ação sugerida, é necessário apresentar também o meio/modo e a finalidade específicos.
NOTA:
Isabella, nesta introdução você trouxe um repertório muito forte e legítimo: a Lei nº 10.639/03. Utilizar uma legislação específica para o tema demonstra que você tem um excelente conhecimento de mundo. No entanto, para que o texto flua melhor e atenda aos critérios das competências do ENEM, alguns ajustes são fundamentais.
Sua tese foca na ausência do assunto nos planos de curso e na falta de políticas públicas. Esses são ótimos argumentos, mas a construção das frases está um pouco confusa. No trecho final, você escreveu “Devido a falta de políticas públicas em protestos contra a desvalorização africana, dificultam cada vez mais…”, o que gera um problema de coerência e concordância, pois o sujeito da frase se perdeu. O ideal seria algo como: “Essa problemática ocorre devido à falta de políticas públicas efetivas, o que dificulta o reconhecimento das heranças africanas.“
Na Competência 1, notei que você precisa de atenção redobrada com a crase e as maiúsculas. Em “Devido a falta“, o correto é “Devido à falta” (quem é devido, é devido a + a falta). Além disso, o termo “Ministério da Educação” deve ser escrito com iniciais maiúsculas. Na palavra “reconhecimento“, você acabou cortando a palavra no final da linha de forma incorreta; lembre-se de que a separação silábica deve seguir as regras gramaticais (reconhe-cimento).
Para os próximos textos, tente manter a estrutura clara: apresente a Lei, use um conectivo de oposição (como o “Porém” que você já usou bem) para mostrar que ela não é cumprida na prática, e finalize citando os dois problemas específicos que você vai explicar no desenvolvimento.
NOTA:
Isabella, sua introdução apresenta um vocabulário rico e boas ideias, mas a estrutura precisa ser reorganizada para atender ao padrão exigido pelo ENEM. Atualmente, o parágrafo mistura a problematização com propostas de solução, que deveriam aparecer apenas na conclusão. O ideal é que você inicie o texto com o repertório sociocultural, como a obra “Vidas Secas”, para contextualizar o tema de forma lúdica ou histórica antes de trazer o debate para o Brasil contemporâneo.
Na parte gramatical, notei que o verbo em “o governo… invistam” deveria estar no singular para concordar com o sujeito. Além disso, nomes de instituições como Ministério da Educação exigem iniciais maiúsculas. Sua tese foca no ensino ineficiente e no preconceito linguístico, dois excelentes caminhos argumentativos, mas eles precisam ser apresentados de forma direta como causas da persistência do analfabetismo funcional ao final do parágrafo.
Para evoluir, tente seguir a ordem lógica de contextualização, seguida pela conexão com o tema e, por último, o anúncio dos dois problemas que você desenvolverá nos parágrafos seguintes. Isso garantirá um projeto de texto muito mais claro e organizado para o corretor.
Para a sua tese, você apontou o ensino ineficiente e o preconceito linguístico, o que é excelente. Tente reorganizar assim: Repertório → Conectivo → Problematização do Tema → Tese (Argumento 1 + Argumento 2).
NOTA: