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Ana Clara de Oliveira

Última atualização: 30 de agosto de 2026

Ana Clara, o que mais me chama atenção aqui é a maturidade de fazer Chico Buarque dialogar com Paulo Freire sem que um repertório atropele o outro — a indiferença de “Construção” vira, no D2, a tese de que a própria vítima naturaliza a violência que sofre. É uma leitura crítica de verdade, não uma citação decorativa.

O ponto que mais trava o texto é a sintaxe do D1: depois da rasura em “políticas públicas”, a frase fica emaranhada e o leitor precisa reler para entender que o problema não é falta de lei, e sim falta de fiscalização. Vale enxugar:

A ineficiência da máquina pública não decorre da falta de leis de trânsito, como a “Lei Seca”, mas da incapacidade das instituições de garantir seu cumprimento.

Na conclusão, o meio da proposta saiu como “por mero do redirecionamento” — leia-se “por meio“, um deslize que compromete justamente o elemento mais técnico da estrutura interventiva. Vale também fechar o texto retomando o repertório da abertura, que ficou meio solto:

Assim como os versos de “Construção” denunciam a indiferença diante da morte no trânsito, cabe ao poder público reverter esse cenário e formar cidadãos que não naturalizem a dor alheia.

Pequenos deslizes de convenção também aparecem — falta o acento em “orgãos” (órgãos) e “constar” (linha 9) provavelmente queria dizer “constatar”. Nada grave, mas some daria mais precisão ao texto.

Competência 1 – 160
Competência 2 – 160
Competência 3 – 160
Competência 4 – 160
Competência 5 – 160

Ajustando esses dois ou três pontos, essa redação sobe fácil.

NOTA
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NOTA:

Ana Clara, o repertório do “Auto da Compadecida” já entra na introdução costurado com o tema, não jogado ali de enfeite — isso já separa seu texto da média. A tese com os dois problemas (negligência governamental e falta de representação midiática) fica clara logo de cara.

Um deslize que se repete duas vezes e pesa na Competência 1: você usa “é importante constar” e “é necessário constar” quando o verbo certo seria *constatar* ou *ressaltar* — “constar” tem outro sentido (figurar em algum lugar). Vale substituir nos dois parágrafos:

Em primeira análise, é necessário ressaltar que, para que a preservação se torne possível, o órgão público responsável pelas questões culturais…

No D1 também escorregou a concordância no fechamento — “bens” pede masculino, não “marginalizadas”:

Dessa forma, esses bens de valor universal excepcional poderão deixar de ser marginalizados.

O D2 é o parágrafo mais forte do texto: trazer a Constituição de 1988 como repertório e cruzar com a omissão da mídia mostra domínio real de argumentação, não só citação decorada.

A conclusão tem agente (Estado, IPHAN, Ministério da Cultura, mídias) e meio (alocação de recursos, ampliação de programas), mas fica sem aquele “gancho” de efeito explícito (um “a fim de” ou “com o objetivo de”) e sem retomar o filme da introdução — fechar circular daria mais força:

Dessarte, transformar a proteção do patrimônio em prioridade orçamentária e midiática é o que garantirá que histórias como as retratadas em “O Auto da Compadecida” continuem vivas na memória do país.

Competência 1 – 180
Competência 2 – 200
Competência 3 – 160
Competência 4 – 180
Competência 5 – 180

Ajustando esses dois ou três pontos, essa redação sobe fácil de patamar.

NOTA
0

NOTA:

Ana Clara, que dupla de parágrafos consistente! No primeiro, você abriu retomando bem a negligência estatal anunciada na introdução e trouxe o filme “Lixo Extraordinário” como repertório produtivo, articulando a obra de Vik Muniz à falta de investimentos e à vulnerabilidade de quem vive cercado por descartes. No segundo, “O Cortiço” foi um repertório literário muito bem escolhido para discutir moradia e higiene, com fechamento sobre o determinismo socioambiental.

Faltaram também acentos graves de crase em “relacionado às péssimas condições”, “somada à vulnerabilidade” e “falta de acesso à higiene”. Evite ainda “dos mesmos” na linha final do 2º parágrafo, que é marca de linguagem burocrática: prefira “…tanto no comportamento quanto na saúde dessas personagens“.

Corrija os desvios e sua nota sobe fácil. Argumentação madura, continue assim!

NOTA:

Que introdução bem construída, Ana Clara! O repertório da canção “Ai, que saudades da Amélia” está bem articulado com o Brasil contemporâneo, e os dois problemas (P1: mercantilização dos padrões de beleza; P2: adoecimento mental e físico) aparecem com clareza e destaque. Ótimo domínio da estrutura introdutória.

No parágrafo argumentativo, o repertório de Clarice Lispector foi usado de maneira produtiva — parabéns. Contudo, o movimento de relação com o Brasil contemporâneo ficou genérico (“sociedade atual”), sem ancorar o argumento em dados, contextos ou recortes específicos do país. Além disso, o fechamento com “muitas das vezes, adoece por complicações médicas” soa informal e truncado. Evite “muitas das vezes” — prefira “frequentemente” ou “recorrentemente“. O encerramento precisa apontar as consequências com mais precisão, especialmente sobre a parcela mais vulnerável.

Sugestão de reescrita para o fechamento: “…ao tentar alcançar esses padrões, a parcela mais vulnerável da população brasileira adoece física e mentalmente, sobrecarregando o sistema público de saúde.”

NOTA:

Ana,  seu parágrafo argumentativo apresenta uma estrutura muito sólida, iniciando com a identificação clara da negligência estatal como o entrave para a garantia do direito à alimentação. A articulação entre o exemplo histórico do “Programa Fome Zero” e a obra “Os Retirantes“, de Portinari, foi feita de maneira pertinente, demonstrando como a ineficiência governamental perpetua o sofrimento social. Você utilizou bons conectivos, como “Nesse sentido”, “Assim” e “Dessa forma”, garantindo a fluidez do texto.

O fechamento é assertivo ao mencionar o “contínuo retrocesso da nação”, embora pudesse ser ainda mais potente se detalhasse brevemente qual a consequência direta desse retrocesso para a cidadania dos indivíduos.

NOTA:

Ana Clara, sua escrita é muito madura e você demonstra um ótimo domínio da estrutura das propostas de intervenção. No entanto, é preciso atenção redobrada à gramática normativa. No primeiro texto, perceba o erro de concordância do verbo “promovam”: como você utilizou “o Poder Executivo Federal” como núcleo do sujeito no singular, o verbo deveria acompanhá-lo, ficando: “é mister que o Poder Executivo Federal […] promova melhoras”.

No segundo texto, sobre o estigma das doenças mentais, você apresentou todos os elementos, mas a expressão “tornando a grade curricular socioemocionalmente melhor” ficou um pouco informal para o padrão da redação. Seria mais interessante utilizar termos como “potencializando o desenvolvimento de competências socioemocionais”. No geral, suas propostas são completas e bem fundamentadas!

NOTA: