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Maysa Lara Xavier

Última atualização: 30 de agosto de 2026

Maysa, o que mais salta aos olhos na sua redação é o desequilíbrio entre os dois parágrafos de desenvolvimento: o D2 tem repertório, conexão com a realidade brasileira e fechamento consistente, mas o D1 fica raso — só afirma que a desigualdade social dificulta o acesso à educação, sem nenhuma voz de autoridade sustentando isso. Dá pra resolver puxando um dado ou referência para dentro do parágrafo:

Diante desse cenário, dados do IBGE apontam que grande parte da população em situação de vulnerabilidade não conclui a educação básica com domínio pleno da leitura, o que evidencia como a desigualdade social dificulta o acesso a uma educação de qualidade.

Sobre a obra citada na abertura: você escreveu “Quarto de Despego” — o título correto é “Quarto de Despejo”. Vale conferir esse tipo de referência antes de usar, porque erro no nome da obra pega mal mesmo com o restante do repertório bem construído. Já em “prosetos” (linha 18), a grafia correta é projetos — aí sim é desvio de norma culta, não caligrafia.

A tese da introdução fica um pouco genérica: você anuncia que vai “analisar os obstáculos”, mas não deixa explícitos os dois problemas que puxam D1 e D2. Fica mais forte assim:

Isso ocorre tanto pela desigualdade social que restringe o acesso à educação de qualidade quanto pela deficiência estrutural do ensino básico, dois fatores que sustentam a permanência desse problema no século XXI.

A conclusão, por outro lado, está muito bem montada — agente, ação, meio e efeito todos presentes e articulados, com o Ministério da Educação como agente concreto e “por meio da capacitação de professores e do fortalecimento das bibliotecas escolares” dando corpo à proposta. Só falta fechar retomando a obra ou a discussão da abertura, em vez de terminar com uma frase solta sobre “sociedade mais justa”:

Dessa forma, será possível romper com o ciclo de exclusão retratado por Carolina Maria de Jesus e garantir que a leitura deixe de ser um privilégio de poucos.

Competência 1 – 160
Competência 2 – 160
Competência 3 – 160
Competência 4 – 160
Competência 5 – 200

NOTA
0

Maysa, sua redação sobre os crimes virtuais e a privacidade digital está bem estruturada, com introdução, dois desenvolvimentos e conclusão claramente organizados. Na C1, o domínio da escrita formal é bom, com poucos desvios — vale só revisar a pontuação em “Isso demonstra…” (linha 18), que poderia ganhar uma vírgula após o conectivo. Na C2, você trouxe repertório pertinente (Paulo Freire e a Constituição de 1988), mas o uso de Paulo Freire fica um pouco genérico — poderia explorar melhor a ideia de “educação como prática da liberdade” ligada especificamente ao letramento digital. Nas C3 e C4, a progressão é coerente e os parágrafos se conectam bem, com conectivos variados como “nesse sentido” e “além disso” — só evite repetir “dessa forma/dessa maneira” tantas vezes ao longo do texto. Na C5, a proposta de intervenção tem agente (Governo Federal, escolas), ação e detalhamento razoável, mas falta especificar o meio de execução das campanhas escolares (parceria com quem? verba de qual programa?). No geral, um texto sólido e maduro, com pequenos ajustes para alcançar a excelência!

Competência 1: 160
Competência 2: 180
Competência 3: 180
Competência 4: 200
Competência 5: 160

NOTA
0

Maysa, sua redação sobre o estigma das ISTs entre jovens está muito bem estruturada, com quatro parágrafos claros e uma tese que se sustenta do início ao fim. Na C1, o domínio da norma padrão é bom, mas notei um desvio de crase em “em parceria com o Ministério da Educação” — não, aliás, esse está correto; o que vale observar é a pontuação um pouco corrida em alguns trechos longos, como na linha 09-10. Na C2, o repertório de Michel Foucault sobre controle dos corpos é pertinente e bem articulado ao argumento do preconceito, e a citação do artigo 196 na introdução e na conclusão fecha bem o texto. Na C3, a progressão é lógica — do estigma à falta de educação sexual —, mas o segundo parágrafo poderia aprofundar mais a relação entre a teoria de Foucault e a realidade brasileira específica, e não apenas afirmar de forma geral. Na C4, os conectivos como “nesse sentido”, “outrossim” e “desse modo” mostram bom domínio, embora “outrossim” soe um pouco formal demais para o fluxo do texto. Na C5, sua proposta tem agente (Ministério da Saúde e Educação), ação (campanhas e palestras) e meio (profissionais e materiais), faltando apenas detalhar melhor o efeito esperado a longo prazo. Um texto sólido e maduro!

Competência 1: 160
Competência 2: 180
Competência 3: 160
Competência 4: 160
Competência 5: 160

NOTA
0

Competência 1: Dominar a norma culta da língua escrita Nota: 160
A escrita apresenta excelente domínio da norma padrão, boa construção sintática e ótimo vocabulário. O texto traz um leve rasura na linha 08 (palavra “relações” rasurada com risco simples), o que é aceito e correto segundo o edital do ENEM. O ponto de atenção fica para pequenas imprecisões no uso de conectivos no desenvolvimento 2 (linha 18: “dessa negligência” retoma um termo do parágrafo anterior, mas a regência do trecho ficou levemente truncated com a transição para a frase seguinte) e um detalhe de concordância/regência ao articular o objetivo da proposta no final da redação (“reduzir o adoecimento” perdeu a simetria com a estrutura anterior).

Competência 2: Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento Nota: 200
A tese e os argumentos tangenciam de forma perfeita o tema “Desafios para a garantia da qualidade de vida frente às exaustivas escalas de trabalho no Brasil”. A estrutura dissertativo-argumentativa em 4 parágrafos (Introdução, D1, D2 e Proposta) está impecável. Quanto ao repertório legitimado e produtivo, a candidata demonstrou grande repertório cultural ao articular o Artigo 6º da Constituição Federal de 1988 na introdução, o romance naturalista “O Cortiço” de Aluísio Azevedo no D1, e o documentário “Ilha das Flores” de Jorge Furtado no D2, relacionando todos diretamente à desumanização e à degradação da qualidade de vida do trabalhador.

Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista Nota: 180
O projeto de texto é claro e bem delimitado desde a introdução, apresentando duas causas principais: a negligência estatal na fiscalização e os impactos diretos do excesso de trabalho no bem-estar. No entanto, no D2, ao utilizar “Ilha das Flores”, a associação com o tema específico da jornada de trabalho exaustiva ficou um pouco genérica, focando mais na desumanização e desigualdade social ampla do que no esgotamento físico do trabalhador propriamente dito. Falta aprofundar um pouco mais a relação do repertório com a consequência direta da escala exaustiva na vida diária.

Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação Nota: 180
O texto apresenta uma boa variedade de recursos coesivos interparágrafos (“Em primeira análise”, “Ademais”, “Portanto”) e intraparágrafos (“No entanto”, “Assim”, “Nesse cenário”, “De maneira análoga”). Contudo, há uma leve repetição do conectivo “Assim” (presente nas linhas 04, 23 e 28), o que demonstra uma margem de melhoria na diversificação dos operadores argumentativos ao longo do texto.

Competência 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado Nota: 180
A proposta de intervenção possui quase todos os elementos obrigatórios exigidos pela banca do ENEM, mas poderia ter uma presença clara de um detalhamento mais complexo e rico.

NOTA
0

Maysa, que introdução bem construída! Você trouxe a Constituição Federal de 1988 como repertório de abertura, conectou ao Brasil contemporâneo e sinalizou o problema central com clareza. No parágrafo argumentativo, o uso de Carolina Maria de Jesus é um repertório legítimo e produtivo, e a relação com a vulnerabilidade socioeconômica atual ficou muito bem articulada. O fechamento — recursos consumidos pelas plataformas digitais — é afirmativo e preciso, exatamente o que se espera.

Um ponto de atenção: na linha 6, a construção “é evidente a ineficiência da máquina pública é também um fator” gera truncamento sintático. Experimente: “Em primeiro plano, a ineficiência da máquina pública figura como fator que fomenta a perpetuação desse quadro alarmante.”

Outro ajuste: na linha 10, “tiram a paz e a estabilidade psicológica do indivíduo” soa um pouco informal. Prefira “comprometem a estabilidade emocional e a coesão social do indivíduo“.

Fora esses detalhes, o parágrafo tem os quatro movimentos bem encadeados e o fechamento nas classes vulneráveis está excelente.

NOTA:

Maysa, seu parágrafo argumentativo possui uma estrutura sólida em sua forma, com tópico frasal e fechamento bem definidos. A organização das ideias é satisfatória, mas a progressão temática é prejudicada. O uso do repertório se mostra expositivo e pouco produtivo, pois tanto a música “Admirável Gado Novo” quanto o quadro “Operários” são apenas mencionados, sem uma análise aprofundada que os conecte à sua tese sobre a insuficiência de leis e a precarização do trabalho. A crítica final ao papel do Estado demonstra boas marcas de autoria, mas fica desarticulada das evidências apresentadas. A coesão é bem executada, mas a argumentação precisa ser mais desenvolvida para validar o ponto de vista.

NOTA:

Maysa, seu parágrafo argumentativo é muito bem estruturado e demonstra maturidade na escrita, utilizando o problema da inoperância governamental como um eixo central sólido. A articulação entre o repertório literário de Graciliano Ramos e a Constituição Federal foi feita com fluidez, mantendo um nível de formalidade exemplar. O uso de conectivos como “Primordialmente”, “Nesse sentido”, “Ademais” e “Entretanto” garante uma progressão lógica clara.

No entanto, houve uma pequena contradição lógica na penúltima frase ao dizer que o governo “está cumprindo seu papel” quando o sentido pretendido era de negligência (provavelmente faltou um “não”); ainda assim, o fechamento com a necessidade de o Estado “deixar a inércia atual” é um desfecho crítico e conclusivo muito eficiente.

NOTA:

Maysa, você apresenta uma escrita muito fluida e utiliza conectivos de forma excelente para articular seus parágrafos. Focando exclusivamente nos elementos fundamentais para a pontuação da Competência 5, aqui estão os pontos para aprimorarmos sua nota:

No primeiro texto, você identificou o Agente (Governo Federal), a Ação (criar uma agenda específica) e a Finalidade (reverter o descaso governamental). O ponto de destaque positivo foi o seu Detalhamento, ao sugerir o uso de “consultas públicas para entender as reais necessidades”. No entanto, o Meio/Modo (“por meio da organização de fundos e projetos”) ainda está um pouco genérico. Tente especificar quais projetos ou como esses fundos seriam geridos (ex: por intermédio do repasse de verbas para estados e municípios).

Para garantir os 200 pontos, lembre-se de que a estrutura ideal deve sempre responder de forma nítida: Quem faz? O que faz? Como faz? Para que faz? E um detalhamento extra sobre um desses pontos.

NOTA:

Maysa, suas introduções estão muito bem construídas e demonstram um domínio técnico elogiável do modelo exigido pelo ENEM. Você utilizou repertórios clássicos e de grande autoridade, como a obra “Utopia” de Thomas More e a Constituição Federal de 1988, para estabelecer o contraste necessário com as falhas da realidade brasileira. Suas teses bipartidas estão impecáveis, apontando com clareza a negligência governamental, a ausência de legislação efetiva e a fragilidade legislativa.

Quanto à Competência 1 e à fluidez do texto, quero destacar o uso de vocabulário sofisticado, como no termo “celeuma“, que demonstra domínio do registro formal. No entanto, atente-se a alguns pontos gramaticais: na primeira introdução, em “Thomas More é retratada“, o correto seria “em Thomas More é retratada” ou “Thomas More retrata“. Além disso, no segundo parágrafo, cuidado com a crase: em “devido a fragilidade“, o correto é “devido à fragilidade“, pois o termo “devido” exige a preposição “a” e a palavra “fragilidade” aceita o artigo feminino.

Sua caligrafia é excelente e muito legível, o que facilita muito a correção. Apenas tome cuidado para não repetir o argumento da “negligência governamental” em todos os temas, para mostrar ao corretor que você consegue identificar diferentes causas para problemas distintos, como por exemplo, a herança histórica ou o preconceito estrutural. Fora esses detalhes, seu projeto de texto é muito sólido e profissional.

NOTA:

Maysa, sua atividade apresenta boa compreensão dos dois temas e explicita com clareza dois problemas em cada tese. No primeiro, você aponta o racismo estrutural e a desigualdade social persistente, fatores que dificultam a valorização da herança africana no Brasil. No segundo, sua tese destaca a desvalorização social e cultural do trabalho de cuidado, bem como a falta de políticas públicas, elementos que contribuem para a invisibilidade desse trabalho realizado pelas mulheres.

Para aperfeiçoar ainda mais a construção, procure apenas formular a tese de modo um pouco mais direto, evitando iniciar com uma estrutura muito prescritiva (“é preciso combater” – confesso que achei um pouco confuso, leia a frase toda e veja).

Nesse cenário, a valorização da herança africana no Brasil é dificultada pela persistência do racismo estrutural, bem como pela desigualdade social presente na sociedade brasileira.

Assim, a invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil decorre da desvalorização social e cultural dessas atividades, bem como da ausência de políticas públicas voltadas à sua valorização.

NOTA: