Jairo, a escolha de começar com um filme e depois trazer Zygmunt Bauman para a discussão mostra que você tem um bom repertório e consegue conectá-lo ao tema. Isso é um ótimo ponto de partida.
Sua introdução contextualiza bem o cenário, mencionando a legalização de 2018, mas a tese poderia ser mais explícita ao apresentar os dois argumentos que você vai desenvolver. Faltou antecipar a ideia da “busca por recompensas imediatas” que você trabalhou tão bem no segundo desenvolvimento.
Uma sugestão para fechar a introdução:
…Nesse cenário, o desafio se agrava não só pela falta de controle estatal sobre as plataformas, mas também pela cultura de satisfação imediata que incentiva comportamentos de risco.
Seu segundo desenvolvimento, que usa Bauman, está excelente! A relação entre o “consumo rápido” e o apelo das apostas ficou muito clara e bem defendida. Já o primeiro parágrafo, embora traga pontos importantes como a facilidade de acesso e a compulsão, ficou um pouco mais expositivo, sem aprofundar tanto a análise de como a “falta de controle” efetivamente causa esses problemas.
A conclusão é o ponto que mais precisa de atenção. Você listou bons agentes (governo, escolas, mídia), mas a proposta de intervenção precisa ser mais detalhada, com os 5 elementos bem definidos. Faltou explicar o “como” (meio) e o “detalhamento”. A frase final ficou um pouco confusa (“finalizar a independência”). Cuidado com a escolha das palavras para não dizer o oposto do que pretende.
Veja um exemplo de proposta mais completa:
Portanto, cabe ao Ministério da Fazenda (agente), responsável pela regulamentação do setor, fiscalizar as propagandas de apostas esportivas (ação), por meio da criação de um conselho de autorregulamentação publicitária para o setor (meio), que proíba peças que associem apostas a um estilo de vida de sucesso fácil (detalhamento do meio). Isso é fundamental a fim de que (efeito) o entretenimento não se converta em um gatilho para a dependência financeira e psicológica.
Por fim, atenção a alguns desvios de norma culta, como a falta de crase em “relacionadas à vulnerabilidade” (linha 3).
Competência 1 – 160
Competência 2 – 160
Competência 3 – 160
Competência 4 – 160
Competência 5 – 160
NOTA:
Jairo, o que mais chama atenção aqui é que você escreveu só três parágrafos quando o dissertativo-argumentativo pede quatro: o bloco que vai de “Diante desse cenário” até “futura geração conhecer o seu próprio patriotismo” reúne dois argumentos completamente diferentes — a insuficiência do Artigo 216 e a falta de reconhecimento das tradições afro-brasileiras — dentro do mesmo parágrafo. Cada um deles merecia seu próprio D1 e D2, com tópico frasal e fechamento próprios. O “outro ponto” que você usa pra transicionar entre os dois é frágil demais para carregar essa mudança de argumento; um recorte como este ajudaria a separar:
Ademais, tradições afro-brasileiras como o samba e a capoeira ainda lutam por reconhecimento dentro do próprio país.
A introdução também não deixa claro qual é o impasse do tema: você descreve bem a diversidade patrimonial e traz um repertório interessante (a festa de Nossa Senhora do Rosário em Abaeté, as cidades históricas mineiras), mas não chega a apontar os dois problemas que a redação vai discutir — isso só aparece de fato no desenvolvimento. Vale fechar a introdução já anunciando os dois problemas, algo como:
Contudo, a fiscalização insuficiente e o apagamento de tradições afro-brasileiras revelam os principais entraves a essa preservação.
Os repertórios legitimados (Artigo 216, samba e capoeira) estão bem escolhidos e conectados à realidade brasileira — isso é o ponto mais forte do texto. A proposta AVBH também é criativa e tem agente, ação, meio e efeito bem marcados. Um cuidado de concordância, porém: “O governo… devem” não combina — o correto é “o governo… deve”.
Competência 1 – 120
Competência 2 – 140
Competência 3 – 140
Competência 4 – 140
Competência 5 – 160
Reorganizar os parágrafos já resolve boa parte do que trava essa nota — vale reescrever separando os dois argumentos antes da próxima entrega.
NOTA:
A abertura ficou confusa: você repetiu quase literalmente o trecho da introdução, o que gera circularidade — retome o problema com palavras suas. Faltou também articular melhor os dois repertórios: eles aparecem soltos, sem conectivo explicando a relação entre um e outro. O trecho final (“verba não chega ao seu destinatário”) apresenta uma boa ideia de consequência, mas está truncado e sem fechamento autoral claro sobre o impacto na parcela mais vulnerável.
Atenção ainda à caligrafia e às rasuras: vários termos ficaram ilegíveis, e isso prejudica o corretor. Capriche na letra e evite emendar palavras.
O conteúdo existe — falta organizá-lo com mais clareza e coesão. Faça com mais dedicação a atividade, concentre-se. Fazer, só por fazer, não vale a pena.
NOTA:
Você trouxe um repertório literário interessante, conectando a pressão estética à representação feminina — isso é um bom movimento! A abertura do parágrafo também tenta situar o problema dentro do tema proposto.
Porém, o parágrafo apresenta alguns pontos que precisam de ajuste. O repertório ficou pouco produtivo: a obra é citada, mas a relação com o argumento central não foi bem desenvolvida — faltou mostrar como ela embasa a discussão sobre mercantilização estética. Além disso, o trecho final acumula consequências de forma solta (“depressão, ansiedade, baixa estima” e “entre outros” — evite essa expressão, pois é marca de oralidade e enfraquece o argumento). O fechamento precisa ser afirmativo e preciso, não uma lista aberta.
Outra coisa Jairo, atenção com a acentuação gráfica, por exemplo a palavra estética; outro ponto é a concordância verbo-nominal e a linguagem que está informal “não conseguem se vê?”
A relação com o Brasil contemporâneo aparece, mas de forma genérica. Tente especificar: quem é mais afetado? Priorize as classes menos abastadas como foco das consequências.
Veja o exemplo:
Diante desse cenário, torna-se indubitável que a excessiva mercantilização de elementos estéticos intensifica a pressão midiática, gerando severos impactos em todas as camadas do estrato social brasileiro. A esse respeito, na produção cinematográfica “Minha Mãe é uma Peça”, a busca por uma aparência excessivamente jovial e elegante é retratada na conduta da protagonista, ilustrando a preocupação exagerada com a imagem. Fora da ficção, a realidade do Brasil contemporâneo reflete essa dinâmica por meio da alta demanda por procedimentos cirúrgicos e pela imposição de padrões inalcançáveis, o que afeta significativamente inclusive a população idosa. Como consequência, muitos indivíduos que não se enquadram nesses estereótipos enfrentam sentimentos de desvalorização pessoal, que culminam em quadros de ansiedade, depressão e severa baixa autoestima.
NOTA:
Jairo, seu parágrafo argumentativo apresenta uma estrutura bem definida, com tópico frasal e tentativa de articulação com repertório. A organização das ideias é satisfatória, mas a argumentação se torna um pouco circular. O ponto que mais precisa de atenção é o uso do repertório: a canção “Faroeste de Caboclo” é mobilizada de forma expositiva e pouco produtiva. Você afirma que a obra denuncia o fenômeno, mas não desenvolve *como* essa denúncia acontece, o que é essencial para validar seu ponto de vista. Atente-se a desvios gramaticais, como a ausência de crase em “relação à falta”.
Estão sem acentuação gráfica os termos análise, indivíduo, fenômeno e condições.
NOTA:
Jairo, a escolha do repertório sociocultural é excelente. A pintura “Operários” é muito pertinente para discutir a desvalorização do trabalho. Seu parágrafo argumentativo, contudo, apresenta uma estrutura prejudicada na parte da análise. A progressão das ideias fica confusa devido a um truncamento frasal: você cria um único período longo, com repetição excessiva do verbo “mostrar”. Fique atenta a desvios como “o trabalhador ele é judiado”, que compromete a norma-padrão. A base do seu argumento é boa, mas precisa de mais coesão e clareza na construção dos períodos.
NOTA:
Jairo, seu parágrafo argumentativo identifica o problema central da ineficiência estatal e utiliza um excelente repertório duplo (Portinari e Graciliano Ramos) para ilustrar a gravidade da insegurança alimentar. Entretanto, a estrutura do texto apresenta falhas graves de coesão e pontuação; o parágrafo foi escrito como se fosse uma única frase gigante, o que prejudica a clareza e a formalidade. É essencial o uso de pontos finais para separar as ideias e de conectivos (como “Nesse sentido”, “Ademais” ou “Portanto”) para ligar os períodos. Além disso, atenção a erros de grafia.
O fechamento traz uma reflexão crítica válida sobre o retrocesso do país, mas precisa de uma redação mais polida para garantir a fluidez.
NOTA:
Jairo, suas introduções mostram que você possui um excelente repertório sociocultural. Utilizar conceitos como a “Sociologia das Ausências” de Boaventura de Sousa Santos e a obra “Filhos do Vento” confere muita autoridade aos seus argumentos e demonstra que você consegue conectar teoria e realidade.
Contudo, para elevar sua nota na Competência 1, preciso fazer alertas pontuais sobre a sua escrita. Notei uma ausência constante de acentuação gráfica em palavras essenciais como “sociólogo” e “exploração”. Na redação do ENEM, a falta de acentos é contabilizada como erro gramatical e pode reduzir sua pontuação drasticamente. Além disso, você precisa ter cuidado redobrado com a repetição de palavras: no seu segundo texto, o termo “isso” aparece repetidas vezes em uma mesma linha e em frases muito próximas. Isso prejudica a coesão e a fluidez da leitura; tente substituir por conectivos como “tal cenário”, “essa problemática” ou “esse processo”.
Outro ponto fundamental para o seu desempenho é a caligrafia. Em diversos trechos, as letras estão muito juntas ou com traçados incompletos, o que dificulta a compreensão imediata do corretor. Lembre-se de que a legibilidade é o primeiro passo para que sua ideia seja bem avaliada. Tente dar um pouco mais de espaço entre as palavras e definir melhor as vogais e consoantes.
Por fim, no seu primeiro texto, você acabou focando em uma sugestão de solução (o governo verificar leis) no final do parágrafo. Lembre-se de que a introdução deve fechar com a tese bipartida, apontando os dois problemas (causas) que você vai desenvolver. Uma sugestão de reescrita para sua tese seria: “Nesse sentido, a invisibilidade do cuidado feminino persiste devido à inoperância estatal em fiscalizar direitos trabalhistas e ao estigma social que marginaliza esse labor.”
NOTA:
Jairo, sua introdução utiliza de forma produtiva o filme “Que Horas Ela Volta?” para contextualizar como a necessidade de sobrevivência empurra jovens para o mercado de trabalho. Sua tese foca no impacto da desigualdade social.
O trecho “o país é extenso e gigantesco” apresenta uma redundância que prejudica a fluidez. Além disso, a substituição de termos genéricos qualifica o texto: em vez de “viver na desigualdade”, utilize “indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica“.
Para elevar a nota na Competência 1, atente-se à pontuação, ao acento em “é” e à formalidade: seu texto está muito próximo da fala (“obviamente tudo desigualdade”). Na tese, prefira a estrutura direta: “nota-se dois grandes problemas: a desigualdade social acentuada e a ineficácia das políticas de proteção à infância“.
O parágrafo apresenta um bom repertório, mas precisa de uma separação mais clara entre a contextualização do filme e a tese que será defendida.
NOTA: